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"Elo perdido" na evolução dos pássaros é descoberto

Cientistas chineses e americanos apresentaram na última quinta-feira em Washington o descobrimento de cinco novos fósseis do "gansus yumenensis", considerado o antecessor dos pássaros atuais e parecido com o pato.
Em entrevista coletiva realizada na última quinta-feira na sede da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), os pesquisadores americanos Gerald Harris e Matthew Lamanna, junto com o cientista chinês Hai-Lu You, apresentaram na última quinta-feira alguns moldes dos fósseis e qualificaram a descoberta como "emocionante".
Os restos foram encontrados por You e sua equipe perto da cidade chinesa de Changma, cerca de dois mil quilômetros a oeste de Pequim, onde foi encontrado o primeiro fóssil de "gansus", chamado assim por ter sido encontrado pela primeira vez na região de Gansu, em 1981.
Os fósseis datam de 110 milhões de anos e demonstram, segundo Harris, que os ancestrais dos pássaros atuais eram aquáticos e que costumavam mergulhar na água para se alimentar.
You, da Academia Chinesa de Ciências Geológicas, contou que ele e sua equipe acharam esqueletos praticamente completos, junto a plumas carbonizadas do "gansus yumenensis".
Ele explicou que o crânio não foi encontrado e disse que os ossos do esqueleto estavam unidos como quando o pássaro era vivo.
Todos eles destacaram o "estado extremamente bom" dos fósseis.
O estudo das novas descobertas, que será publicado na revista "Science" amanhã e que foi coordenado pelo cientista da Universidade da Pensilvânia Peter Dodson, mostra que os ancestrais dos pássaros modernos tinham hábitos parecidos com o de aves atuais como o pato, a garça e a cegonha, disse Harris.
Harris acrescentou que o "gansus yumenensis" se comportava como os pássaros modernos, "provavelmente comendo peixes e insetos".
No entanto, não é possível "saber com certeza seu regime alimentar até que encontremos o crânio", acrescentou o especialista.
O esqueleto oferece evidência suficiente, segundo Lamanna, de que viviam na água e podiam levantar vôo como os patos atuais.
O especialista acrescenta que a membrana entre os dedos das patas e os joelhos ossudos são "sinais claros" de que o "gansus yumenensis" nadava.
"As extremidades com membranas são uma adaptação que evoluiu reiteradamente em diversos grupos de animais, como as tartarugas e as baleias, e só impede escalar ou aterrissar nas árvores", explicou Harris.
Lamanna afirmou que a crista grande e ossuda que sobressai no final das pernas "sustentam músculos potentes, necessários para nadar e mergulhar".
Segundo explicou Harris, os "gansus" estavam "adaptados para levar um estilo de vida organizado ao redor de água".
O grupo de cientistas disse que ainda resta estudar como os hábitos anfíbios dos "gansus yumenensis" sobreviveram ao final "cataclísmico dos dinossauros há 65 milhões de anos".
Harris afirmou que o descobrimento "preenche uma lacuna que existia no estudo da evolução dos pássaros modernos, e permite saber em que ritmo evoluíram".
Os cientistas disseram também ter dúvidas de que o "gansus yumenensis" pudesse sobreviver atualmente.

 

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