Ativistas debatem futuro dos imigrantes latinos nos EUA
Ativistas e defensores dos imigrantes de diferentes partes dos Estados Unidos se reuniram neste fim de semana na Flórida para tentar chegar a uma conclusão sobre se existe realmente um movimento latino no país.
A maioria dos milhares de imigrantes que saíram às ruas em maio em cidades norte-americanas exigiam documentos e a legalização, mas também acreditavam que as reivindicações tinham de ir além dos pedidos por papéis, afirmaram os ativistas.
"Muitos imigrantes também estiveram nas ruas porque sentiam que estavam sendo discriminados", disse Christine Neuman Ortiz, representante do centro de trabalhadores Vozes da Fronteira de Milwaukee.
Esse sentimento cresceu especialmente depois que a Casa dos Representantes votou no fim do ano passado a proposta que transformaria a imigração ilegal em um delito. A resolução era parte de uma reforma migratória mais ampla.
"Muitos jovens norte-americanos, filhos de imigrantes, sentiram que tinham que ir às ruas por seus pais", afirmou Ortiz.
O movimento pela legalização até agora não tomou uma forma institucional, segundo os ativistas.
A primeira coisa que vem a cabeça desses ativistas nessa discussão é a luta por direitos civis dos afro-americanos nos EUA na década dos anos 1960.
"O início são as passeatas. Depois, o registro para o voto. Finalmente, a afirmação de dizer sou latino, mas também norte-americano", declarou Maria Teresa Petersen, do grupo Voto Latino, de Nova York, que incentiva os jovens hispânicos a votar.
O Centro de Estudos de Imigração (CIS, na sigla em inglês) calcula que os imigrantes ilegais nos EUA são mais de 11 milhões. Quase 80 por cento seria de origem hispânica, principalmente mexicana. Outros 42 milhões de hispânicos vivem no país de forma regularizada.
A atual diretriz é mobilizar e agrupar as diferentes gerações e nacionalidades de latinos, por meio da educação, como fizeram os afro-americanos.
"Mas não esperem que saia um Martin Luther King", opinou o escritor Roberto Lovato.
"Essa era uma liderança da época industrial. Agora, vivemos na era digital", afirmou ele.
Segundo o escritor, talvez não apareça uma cara única para simbolizar o movimento.
Tensões
Com ou sem um líder, os ativistas pensam que é importante buscar formas de levar uma mensagem positiva à sociedade norte-americana sobre os latinos.
"Temos um movimento, já que esse assunto nos afeta. Há tensões crescentes, e devemos levar uma mensagem de que os imigrantes querem mais direitos civis, defendem a família e contribuem para a economia do país", afirmou Juan José Gutiérrez, do Movimento Latino USA de Los Angeles.
Segundo o CIS, o grande fluxo de imigrantes na última década reduziu em mais de 5 por cento os salários dos norte-americanos pobres, o que vem aumentando as tensões étnicas no país.
O próximo passo da reforma migratória no Congresso dos EUA será a reunião dos representantes das duas Câmaras para decidir sobre um projeto final. Contudo, não está claro se os parlamentares voltarão a tratar desse tema antes das eleições legislativas de novembro, de acordo Gutiérrez. |