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A moça  na  janela

Sempre que ele olhava para a janela, via a moça triste a suspirar. Que sombrios pensamentos teria ela agora, perguntou-se o jovem? Sabia da sua história e sentia pena ao lembrar. Ela tinha o olhar perdido e a expressão carregada por  toda dor que passara. Quem desconhece a dor do amor? Do amor que machuca e deixa marcas para a vida toda? O amor bandido não faz distinção entre moça feia ou bonita, e ela descobriu isso ainda bem jovem.

Era bonita e vestia-se modestamente, mas com bom gosto.
Tinha longos cabelos castanhos que caiam como cascatas em cachos sobre os ombros. Os olhos verdes como o mar realçavam a pele muito alva e sedosa. A boca delicada era rosada naturalmente, mas ela a contornava com batom quase do mesmo tom. Quando falava era cativante e todos gostavam muito dela.

Assim que ela o viu pela primeira vez apaixonou-se.
Tinha dezoito anos, muitos sonhos e seu coração ansiava encontrar um príncipe encantado. Disse para a amiga que a acompanhava: vou me casar com ele! A amiga sorriu com certo deboche, pois sabia que o rapaz tinha namorada firme. Avisou-a e ela não fez o menor caso, como se não tivesse escutado.

Outras vezes que o viu, notou que ele a olhava com interesse também. Eram tempos mais pudícos e ela não entendia como ele, namorando firme, mostrava interesse por outra garota que não a noiva. Enfim chegou o dia em que ele a convidou para passear e ela com o coração acelerado e alguma culpa aceitou. O amor às vezes nos faz agir como tolos, e por ele perdemos a razão.

Passearam por uma praça perto de sua casa, falando de banalidades; quando ele pegou suas mãos, disse que estava apaixonado e que se ela o aceitasse largaria tudo para ser feliz ao seu lado. Logo pediu permissão para seu pai para namorá-la e começaram  a fazer planos para o futuro. Ele mostrava-se apaixonado, faziam um belo par e estavam felizes. Já se passara quase dois anos quando ficaram noivos e marcaram a data do casamento.

Mas o jovem bonito era volúvel e ,mais uma vez, envolveu-se com outra sem que ninguém soubesse. Quando deram pelo fato, a jovem já estava grávida e com o pai dela nos calcanhares dele. Naqueles tempos ou casava ou morria e ele optou pela lógica. A moça da janela não suportou; sofreu um colapso nervoso tendo que ser internada num hospital onde passou alguns dias em completa alienação.

Quando voltou para casa, sua vida nunca mais foi a mesma. A  ingenuidade e a alegria de viver esvaiu-se, juntamente com a decepção que sofrera. Nas noites mornas de céu enluarado e estrelas faiscantes, debruçava-se na janela com ar triste e olhando a cidade chorava. Mas a vida tem que seguir adiante. Que peça mais o destino pregou na moça da janela? Ah! isso já é assunto para uma próxima crônica.

 

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