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Sem-terra ameaçam soltar 10 mil bois em rodovia

Nova Andradina, MS - Um grupo de 500 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) promete soltar, em plena rodovia BR-267, pelo menos 10 mil bois da Fazenda Teijin, a 54 quilômetros do centro de Nova Andradina, na região leste de Mato Grosso do Sul, a 370 quilômetros de Campo Grande. A ocupação ocorreu dia 12, quando mais de mil famílias invadiram a fazenda em protesto contra decisão do Tribunal Regional Federal (TRF), que no dia 6 determinou a suspensão do processo de demarcação e desapropriação do imóvel.

O cumprimento ou não da ameaça está vinculado ao resultado de reunião que será realizada esta semana em Brasília, entre dirigentes do MST e o Ministério do Desenvolvimento Agrário para analisar a suspensão da ordem de despejo contra os invasores da fazenda.

Os manifestantes estão armados com ferramentas agrícolas e continuam bloqueando todos os acessos. Afirmam que aguardarão até as 11h uma decisão sobre o impasse criado quando a Justiça Federal suspendeu os efeitos da desapropriação da área, ocorrida por decreto presidencial em outubro de 2001.

Eles recolheram todo o gado do Grupo Agropecuário Teijin proprietário do imóvel, e fecharam o rebanho próximo da rodovia pronto para ser solto na estrada.

Essa ação, conforme garantiram os líderes do movimento, é independente do despejo judicial determinado pela Justiça Federal de Dourados, dia 13, em regime de urgência e com requisição autorizada para o uso de força policial.

"Nós resistiremos ao despejo até as últimas conseqüências, isto já está decidido. Quanto ao resultado da reunião em Brasília, é outra coisa. Se sair a nosso favor, faremos uma festança. Se contrário, soltaremos os 10 mil bois na estrada", disse um dos líderes. Eles não querem ser identificados para não ser responsabilizados pela manifestação. "Ninguém vai assinar a notificação de despejo. Não queremos sair na imprensa com nomes completos para depois a Justiça nos procurar com essa notificação." Os 28 funcionários da Fazenda Teijin estão com todos os trabalhos de máquinas, montaria e manejo do gado paralisados.

Essa condição torna cada um deles, na condição de trabalhador, reféns dos ocupantes da Teijin. Os sem-terra negam ter feito reféns, embora as pessoas só possam circular a pé, sem o uso de cavalo ou outro veículo. Os sem-terra alegam que, se existe algum culpado pela situação, é o próprio governo federal, que decretou a desapropriação, delimitou os lotes e colocou as 1 057 famílias na fazenda.

A Justiça Federal desconsiderou a existência do projeto de assentamento, deixando as famílias em situação difícil, conforme reclamaram os ocupantes. Existem famílias que investiram na construção de moradias, perfuração de poços artesianos e outros gastos, enquanto esperam a liberação dos créditos da reforma agrária.

Para as famílias, não existem invasores do local. "Somos assentados do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Não invadimos esse lugar. O Incra nos deu esperança de dias melhores e agora perderemos tudo, até a esperança de ter vida mais digna", desabafou um dos acampados.

No interior da fazenda, estradas estão sendo abertas por empresas contratadas pelo Incra, sítios são formados e casas são construídas.

Todos os 28.500 hectares da fazenda estão demarcados e divididos em 1.057 lotes com tamanhos variando de acordo com a qualidade da terra. Quanto melhor, menores são os lotes, que vão de no mínimo 18 hectares a no máximo 25 hectares.

 

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