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17.03.2010 imprimir Imprimir
 

Tudo passa, tudo sempre passará…

Pois é tudo mudou.  Ao  andarmos  pelas ruas de nosso bairro,  falarmos com as pessoas,  vemos nos  olhos e  sentimos   nas vozes pausadas  e sem brilho a tristeza  do momento   pelo qual passamos, a falta  de perspectivas em todas as áreas. Os outroras poderosos  “empresários”,  hoje lamentam e ficam  com um olhar perdido no horizonte,  na esperança de que volte o cliente que se foi, os dias de glória  e glamour onde todos eram ricos e importantes.

Todo  mundo tinha companhia. Eu mesmo  pensei em abrir uma  de construção. Até me preparei pra  isso: comprei uma escada sem degraus, um compressor sem compressão, uma van sem motor, um martelo sem cabo, um celular sem célula,  fiz cartões sem números. Enfim, tudo o que a maioria dos grandes “construtores da comunidade” alegam ter, como tenho problemas de coluna, mudei de ideia e resolvi  mudar pro ramo da limpeza. Afinal  se  todo mundo tem uma companhia de limpeza,  eu também poderia ter uma. Comprei um aspirador sem vácuo,  uma vassoura sem cabo , um balde furado  e otras cositas mais. Também não deu certo.

O bom dessa crise é que ela ajudou a baixar a bola,  derrubar a máscara  de muita gente metida a besta e arrogante, que se autointulava empresário, donos e donas de companhias, poderosos exploradores de plantão,  que durante certo tempo encheram os bolsos, às custas da exploração  da mão de obra   de imigrantes ilegais recém chegados com um  saco de dívidas às costas  e que topavam qualquer  coisa  na luta pela sobrevivência. Pseudos líderes exploradores, que ao venderem o feijão e o arroz de cada dia, sugaram a comunidade até o limite da exaustão.

Mas aí eis que de repente  veio a democrática e avassaladora crise,  que como um Tsunami econômico  abalou os alicerces  de uma economia feita à base da exploração de tudo e de  todos. Por falar em alicerces,  recordo   das  foundations, base  para todas as casas e alicerces da  construção civil,  uma das molas mestras da economia  comunitária. Há tempos atrás  em nossas  ruas e restaurantes era só  engravatados e  homens  enternados,  leia-se de ternos, senhoras de taieurs, enfim, todos  vendiam casas  e faziam hipotecas, as  chamadas mortgages.

Os estacionamentos  dos restaurantes viviam repletos de Lexus, Audis, Infinitys, Mercedez e BMWs, mas  veio a crise e lá e foi a farra   do boi   do mercado imobiliário. Onde estão  todos? O povo só falava em milhões. O cardápio  era lagosta, blue  label, vinho do porto e caviar. Parafraseando o malandro Dicró das  noites globais no  Fantástico Plim Plim da Vida tinha gente que dizia: “Se fui pobre nem me lembro “ . Pois é galera, o bicho pegou e a casa caiu. Outras não cairam, mas se foram. Depois da tempestade, só nos resta esperar dias  melhores, que  com certeza eles estão a caminho, mas nada será de novo como já foi um dia. Os “empresários“ outrora poderosos, hoje páram e ficam a pensar nos bons tempos de exploração e glamour e no salve-se quem puder.  O que tem de gente rezando e pedindo aos céus, só nos resta dizer:  tudo passa,  tudo sempre passará.
 
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