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10.03.2010 imprimir Imprimir
 

A crise está acabando com os brasileiros

No início da crise, órgãos da saúde dos EUA e a OMS - Organização Mundial de Saúde, realizaram e divulgaram estudos sobre a preocupação das autoridades da área de saúde mental do país preocupadas com a possível onda de suicídio que viria em decorrência da mesma. Pois é , vários casos foram noticiados em função da crise. Recordam-se do engenheiro da Flórida que após ser demitido metralhou os colegas? E o caso mais recente do piloto do Texas que entrou com seu próprio avião contro o prédio do IRS, num protesto contra o imposto de renda? A morte é nossa fiel companheira. Fiel, pois é a única que nos acompanha desde a fecundação do óvulo até o suspiro final já em forma de ser humano. Essa companheira silenciosa e onipresente, como sabemos é a única que nunca nos abandona e podemos dizer que, assim como o oxigênio, ela é politicamente correta. Acompanha todos, de todas as classes, raças e credos. Não é muito justa, mas não poupa ninguém por mais poderoso e rico que  a pessoa seja,  ela vem e de várias formas e diz: “Siga-me”. E lá já se foram muitos e nós também iremos, quer queiramos ou não.

O American Dream está virando pesadelo americano para muitos brasileiros e suas famílias, neste mês de março cantado em verso e prosa e com um dia dedicado à todas as mulheres do mundo, podemos dizer com licença do poeta, que as mortes de março estão abrindo o verao, sem promessa de vida em nossos corações. Três brasileiros tiraram a própria vida em estados diferentes, mas de formas idênticas, levados sabe Deus por quais motivos, porém suspeita-se que a crise e as pressões estejam como uma das causas. No espaço de oito dias, três compatriotas sonhadores, de gerações diferentes sucubiram pelas próprias mãos. Buscaram na morte temida por todos nós a saída para uma vida melhor. Vida melhor???? Será??? O jovem Gustavo Resende, de 19 anos, suicidou-se na cidade de Marlborough em Massachussets. Sim, um jovem cheio de vida e com um futuro pela frente, perdeu a carteira de motorista e entre andar a pé e a morte, escolheu a segunda opção, mas como dizia Dona Carmelita, a morte só quer uma desculpa para não ser a responsável pelo ato.

Outro brasileiro, este com 64 anos, Edvar Cunha, há 15 anos nesta terra de neves, parques e sonhos, também foi encontrado morto em sua residência. Um tão jovem, outro com idade para curtir os netos, dar lição de vida à todos nós e lá se foi. Um homem dedicado à família e que há dois meses aceitou Jesus como seu salvador. Que lição podemos tirar destes episódios? Os números da morte são grandes. Como é grande o desespero de muita gente em todo os EUA: em 2006, 436 pessoas ceifaram a própria vida no estado de Massahussets, ou seja, por dia mais de uma pessoa se matou no estado. A AIDS matou 176. Os homicidas mataram 183 pessoas. No ano de 2007, 504 pessoas se mataram no estado, 41 só na região onde se concentra boa parte dos brasileiros da região da Nova Inglaterra.
A morte também ronda os brasileiros de New Jersey. O baiano de nascimento, mas capixaba de coração Adenilton Pereira, de 45 anos e há 17 anos no Estado Jardim, foi encontrado enforcado numa fria sexta-feira deste inverno de 2010, dentro do seu estabelecimento comercial na cidade de Elizabeth.

Três homens. Três gerações. Perda para todos nós e um sinal de alerta aos que ficaram. A crise passará, mas a vida ceifada jamais voltará. Ao caminharmos pelas ruas da comunidade vemos em olhos marejados dos outroras imponentes e poderosos, (empresários), que com voz embargada nos dizem: “Tá difícil, como sairemos dessa situação?”, pois agora na crise eles usam o plural no passado de fartura era, (eu sou, eu tenho, eu posso, eu faço), a lição e o sucesso é singular e meu, o fracasso é pluralista é nosso. Somos fracassados? A casa perdida ou a ponto de... os clientes que se foram, a incerteza do futuro, pois é a força da grana que destrói coisas belas, destruiu mais três vidas de imigrantes brasileiros sonhadores. Não seja você o próximo, pois enquanto há vida, há esperança. Creia em Deus e siga em frente, porque ele proverá.  Jamais abandonou os seus, mas a crise serviu para mostrar que nem tudo que reluz é ouro. A máscara do poder caiu. A cortina fechou e o espetáculo continuará no grande teatro da vida. Fé meu povo... Fé. Segurem na mão de Deus ela nos guiará.
 
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