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   Colunas . Léa Campos

27.08.2008 imprimir Imprimir
 

PERDE–SE O SONHO, NÃO A ESPERANÇA

É público e notório que os esportes especializados não recebem o apoio que precisa do governo.

Sabe-se que a loteria esportiva tem uma percentagem que supostamente está destinada ao esporte chamado amador, como são todos os esportes olímpicos mas, não se tem notícias dessa aplicação que, embora tenha sido criada por lei nunca se cumpriu como a maioria das leis no Brasil.

Evidentemente muitos atletas olímpicos recebem patrocínios e às vezes se tornam até milionários, mas não é regra geral, alguns quesitos como ginástica ornamental, lutas de tatami, nado sincronizado (este foi eliminado pelo Brasil), e outros esportes não muito populares em nosso país, nem participaram das Olimpíadas da China.

Os esportes mais apoiados por suas respectivas federações,  recebem apoio irrestrito, como o vôlei masculino e feminino, basquete masculino e feminino e o futebol masculino,

Este último é o xodó do Brasil e recebe apoio total,  não somente das autoridades, como também do público,  por isso mesmo a decepção é sempre maior.

A derrota para a Argentina por três a zero foi o maior vexame de nossa seleção, qualquer semelhança com o Arranca Toco Futebol Clube não é mera coincidência .

Apesar do vergonhoso resultado ninguém “chorou”, mesmo porque o bronze seria o prêmio de consolo. Ronaldinho Gaúcho olhava para a medalha como se fosse o supra sumo de sua carreira, tamanha a admiração por ele.

Em contra-partida as meninas do futebol feminino. esporte que não tem o respeito e o apoio que deveria ter, choraram envergonhadas ao receber a medalha de prata, pois lutaram pelo ouro e fizeram por merecer, foram verdadeiras guerreiras dentro de campo, mas as meninas do “Tio Sam”, melhor nutridas e com um treinamento físico adequado e jogando juntas todo o ano, levaram novamente o ouro para sua galeria.

Ainda sem o ouro, devemos abraçar e aplaudir a equipe de Marta, Cristiane e Cia., porque verdadeiramente elas lavaram a honra da má atuação do Brasil na terra do mandarim.

O governo, em especial o Ministério dos Esportes, que em geral não investe na juventude brasileira, deveria olhar com mais carinho as meninas que correm atrás da bola e que segundo comentários gerais estão jogando melhor que os marmanjos, que a única coisa que querem é aparecer e pedalar.

O futebol feminino  fez as lágrimas saírem dos olhos de muitos e estão de parabéns.

Não foram premiadas como deveria, mas se levarmos em conta os pontos contrários a elas, veremos que essa prata tem valor de ouro.

O importante não é vencer e sim competir, reza o lema olímpico, entretanto o preparo sentimental feito por cada uma dessas meninas determinava que o ouro era a meta.

Precisamos dar valor a quem realmente o tem.

Nossas meninas jogam fora do país por trabalho feito por agenciadores que têm o trabalho de gravar os jogos e levar aos clubes pelo mundo afora.

No Brasil para estar no futebol tem que ser bonita e posar pelada, as meninas sérias e que realmente gostam do futebol não recebem apoio nem do público, nem das autoridades.

Muitas jogadoras são arrimo de família e vêem o futebol como um trabalho normal, ao contrário  de algumas mulheres que viram no futebol uma vitrina para exibir-se como nudistas.

Infelizmente nossas autoridades são machistas demais para aceitar que mulher também sabe jogar futebol, são “homens” que não acompanham a evolução, pararam no mundo. Estamos no século 21 e ainda não aceitam que hoje não existem profissões exclusivas para homens, tudo que a mulher se propõe a fazer, o faz bem, talvez este seja o medo.

Se apóiam o futebol feminino, pensam que perdem a boca do futebol masculino, por isso fazem vistas grossas com a evolução do futebol feminino, não somente no Brasil como em todo o mundo.

Até a China, um país comunista e onde a mulher começa a ocupar seu espaço, o futebol feminino tem maior apoio, tanto que já organizou duas Copas do Mundo, enquanto o Brasil, dono de cinco Copas do Mundo nunca foi lembrado para sediar tal evento.

Enquanto o futebol masculino e as autoridades esportivas impõem mais uma vergonha ao povo brasileiro e o governo aproveita o evento para continuar roubando e corrompendo, as meninas mostraram em campo que futebol não é só para homem e sem sombra de dúvidas estão melhores que a seleção de Dunga.

Esta colunista, perdoem minha falta de modéstia, precursora do futebol feminino no Brasil bem como na arbitragem, se sente orgulhosa e feliz pelos frutos que estão colhendo estas meninas, que apesar da adversidade impostas pela vida, são o orgulho dos que amam o futebol

Parabéns às canarinhas que lavaram a honra do futebol brasileiro penta campeão mundial.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
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