Harare - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, candidato único no segundo turno das contestadas eleições presidenciais, foi empossado no domingo (29), depois que a comissão eleitoral anunciou sua vitória com mais de 80% dos votos. No discurso de posse, Mugabe propôs conversações com a oposição. "Tenho a esperança de que realizaremos consultas entre os partidos políticos de diferentes opiniões para instaurar um diálogo sério que supere nossas diferenças", declarou.
O oposicionista Morgan Tsvangirai reagiu dizendo que Mugabe está em posição de fraqueza. "Ele não tem opção a não ser negociar", disse Tsvangirai, que retirou sua candidatura dias antes da eleição de sexta-feira, em meio a uma campanha de intimidação e violência contra opositores. "Ele está em má situação."
Num duro golpe para Mugabe, a missão de observadores da Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África declarou que a eleição "não reflete a vontade do povo" do Zimbábue. "O ambiente (de violência) manchou a credibilidade do processo eleitoral", afirmou o grupo - que outrora apoiava Mugabe - num comunicado. Observadores do Parlamento Pan-Africano disseram que a eleição deveria ser realizada novamente.
A comissão eleitoral, que demorou cinco semanas para divulgar o resultado do primeiro turno, em março, desta vez levou só dois dias. Segundo dados oficiais, Mugabe obteve 2 milhões de votos, enquanto Tsvangirai (cujo nome não foi retirado da cédula) recebeu 230 mil. O comparecimento às urnas foi de 42%, o mesmo do primeiro turno. Mas testemunhas relataram que milicianos pró-Mugabe forçaram as pessoas a ir votar a favor do presidente.
Tsvangirai, cujo partido obteve maioria no Parlamento em março, havia conquistado mais votos que Mugabe no primeiro turno presidencial, mas sem obter maioria, segundo o resultado oficial Cinco dias antes do segundo turno, ele se retirou da disputa e se refugiou na embaixada holandesa, afirmando que a violência do governo punha em risco seus eleitores e o impedia de concorrer.
Mugabe deve participar da reunião de cúpula de domingo da União Africana (UA) no Egito. Líderes da UA pretendem pressioná-lo a formar um governo de coalizão com Tsvangirai. Os EUA, o Canadá e outros países ocidentais anunciaram que preparam sanções diplomáticas e comerciais contra o regime de Mugabe.