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   Colunas . Léa Campos

02.07.2008 imprimir Imprimir
 

BRASIL PERDE UMA DAMA

A semana passada nos surpreendeu com o falecimento da ex-primeira dama Ruth Cardoso, que faleceu vítima de infarto, depois de estar internada no hospital Libanês em São Paulo, chegando inclusive a receber alta médica, vindo a falecer em seu apartamento na capital paulista.

Dona Ruth foi uma primeira dama bastante atuante, sendo dela inclusive a semeadura do bolsa família, tão alardeado pelo atual governo.

Para o professor e cientista político Anthony Hall da London School of Economics, a contribuição da ex-primeira dama e antropóloga Ruth Cardoso, foi de vital importância para mudar os rumos da política social no Brasil.

“Ela foi uma peça fundamental na idéia de unir os vários programas sociais e de transferência de renda nos anos 90 em um único programa” disse Hall em entrevista à BBC.

O acadêmico explicou que os vários programas locais de combate à pobreza se espalharam pelo país na década passada, especialmente a nível municipal em cidades como Vitória, Blumenau,Campinas e Belo Horizonte.

Ele afirma que ditas iniciativas culminaram na criação da Bolsa Escola em Brasília, que mais tarde foi rebatizada como Bolsa Família como programa nacional.

Ainda segundo Anthony Hall, dona Ruth impulsionou a unificação dos programas de transferência de renda e de combate à fome, sendo responsável em convencer o então presidente Fernando Henrique a adotar o sistema unificado a nível nacional.

“Muitos acreditam que foi dela a idéia de unificar os programas e criar uma economia mais equilibrada e eficiente. Colocada em prática por Lula quando assumiu o poder em 2003”, disse Hall.

Para ele, por essas e outras razões é possível afirmar que Ruth Cardoso foi sem dúvida uma das pessoas mais influentes nas políticas sociais no Brasil a partir da década de 90.

A ex-primeira dama, era doutora em antropologia pela USP, tendo feito o pós-doutorado na Universidade de Columbia em New York e foi professora em faculdades americanas e inglesas.

“Ela foi uma primeira dama eficiente, justamente porque era uma acadêmica muito respeitada e falava com autoridade. E quando falava as pessoas ouviam”, afirmou Anthony.

Segundo o professor e ex-diretor do Centro de Estudos Latino Americanos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, David Lehmann, Ruth Cardoso não era uma mulher de político nos padrões convencionais:”Como figura política, ela era muito  independente do marido”, disse Lehmann à BBC.

Na opinião de Anthony Hall, "Ruth transformou o papel de primeira-dama no Brasil, já que ao contrário de esposas de presidentes anteriores, inclusive da mulher de Lula, dona Marisa, ela foi uma figura pública importante e não ficou apenas nos bastidores, seu apelo carismático entre a classe média e a camada mais pobre da população se deve justamente à sua preocupação pela questão social", finalizou Hall.

Não resta dúvidas de que  dona Ruth deixou marcas profundas como primeira dama do país. Durante oito anos ela esteve lutando pelo social dos menos favorecidos, sem promessas de palanque e sem ocupar nenhum cargo que não fosse o de mãe e esposa, fez muito pelo brasileiro e pelo Brasil.

Não ficou escondida nos palácios e nunca a foi vista exibindo-se nas viagens feitas por seu esposo, afinal ele era o mandatário e como tal deveria fazer as viagens em busca de benefícios para o país por ele presidido.

Nas viagens em que era primordial sua companhia, jamais foi vista nas recepções oficiais, estava tão envolvida com o social, que não sobrava tempo para fotos oficiais ou turísticas.

Sua luta pelos pobres fez dela uma mulher respeitada e querida por onde passou, jamais se teve notícias de que a primeira dama esteve fazendo compras enquanto o marido cumpria a agenda oficial. Ela estava em outras salas conversando com outras autoridades  locais, discutindo a necessidade social do país que ela representava como primeira dama. Desde o governo  JK não tivemos uma primeira-dama tão atuante como a senhora Ruth Cardoso.

Nunca foi vista tomando ou proporcionando alguma cena que colocasse nosso país em ridículo, jamais promoveu festas que estivessem em desacordo com o protocolo presidencial.

Sua conduta ilibada deixa saudades e exemplos que poderiam ser seguidos por outra mulheres que ocupam ou venham ocupar o posto de primeira dama no país.

O brasileiro está ávido de pessoas dinâmicas, que trabalhem pelo bem-estar de todos e que justifiquem o que ganham para ocupar dito espaço. 

Seu labor como primeira dama se funde com sua imagem de acadêmica intelectual e de senhora.

Com muita saudade pedimos a Deus que a receba em Seu reino para um merecido descanso.

Informar é um privilégio, informar corretamente uma obrigação.

 
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